A história de Chudapanthaka

A história de Chudapanthaka

Em diferentes escritos que o buda Nichiren Daishonin dedicou aos seus discípulos, ele cita uma história antiga.

Chudapanthaka era conhecido por sua péssima memória. Era tão esquecido que mal se lembrava do próprio nome. Daishonin o descreve como “a pessoa mais esquecida de todo o continente de Jambudvipa [o mundo inteiro]” (WND, v. II, p. 657).

Ele se tornou discípulo de Shakyamuni junto com o irmão mais velho. Porém, mesmo sendo muito dedicado, não obtinha resultados em sua prática budista e era ridicularizado pelos outros discípulos por causa de sua lentidão.

Certo dia, até o próprio irmão desistiu dele e o mandou embora dizendo-lhe que não havia esperança e que ele deveria voltar para casa.

Ohashi no Taro

Chudapanthaka ficou parado, desanimado, mas ainda assim alimentando a esperança de que houvesse algum ensinamento que pudesse aprender.

Naquele momento, Shakyamuni surgiu ao seu lado e o conduziu de volta ao local em que os demais estavam praticando.

O jovem discípulo deve ter sentido uma alegria imensa diante da amabilidade e da compaixão do seu mestre. Mais tarde, Shakyamuni lhe ensinou um verso e lhe explicou o significado, e dessa forma ele aprofundou seu estado de vida.

No Sutra do Lótus, ele e seu irmão recebem a profecia de Shakyamuni de que se tornariam budas, ambos com o nome de Brilho Universal. Embora Chudapanthaka parecesse tolo e esquecido, ele passou a ter uma vida sábia do mais alto valor.

Entre outros escritos, o buda Nichiren Daishonin cita esse personagem, como em Três Mestres Tripitaka Oram por Chuva:

Em três anos, Chudapanthaka foi incapaz de memorizar um ensinamento de quatorze ideogramas, ainda assim, ele atingiu o estado de buda. Devadatta, por outro lado, havia memorizado sessenta mil ensinamentos, mas caiu no inferno de incessantes sofrimentos.

Esse trecho do Gosho é usado para ilustrar um ponto primordial do estudo do budismo. Estudar os ensinamentos budistas não é meramente uma busca intelectual e vazia. Tampouco é um ato que distancia a pessoa do objeto de estudo, já que o budismo trata da própria essência da vida.

A pessoa que estuda o budismo deve fazê-lo com o intuito de ler os escritos com a própria vida a fim de vencer os desafios reais do cotidiano. A chave na história do jovem Chudapanthaka é justamente isso. Se ele dependesse somente de sua memória ou da capacidade intelectual, jamais atingiria a iluminação. Uma vez que compreendeu com o próprio coração, ele pôde desfrutar os benefícios da prática budista.

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