A lei que rege o Universo

A lei que rege o Universo

Uma das questões mais recorrentes entre os iniciantes da prática budista é o conceito de Deus. Se considerarmos que a sociedade brasileira tem como berço religioso o ensinamento judaico-cristão, este é um tema bastante intrigante, instigante e interessante. Mas, antes de falarmos sobre budismo, vamos entender a acepção da palavra “deus”.

O poeta português Fernando Pessoa faz alusão a Deus não como o ser criador, mas o que se manifesta em todas as coisas e formas de vida, assim como escrito em seu poema O Guardador de Rebanhos:

Não acredito em Deus

porque nunca o vi.

Se ele quisesse que eu

acreditasse nele,

Sem dúvida que viria a

falar comigo

E entraria pela minha

porta dentro,

Dizendo-me Aqui estou!

Mas se Deus é as flores e as árvores

E os montes e o sol e o luar,

Então acredito nele,

Então acredito nele a

toda hora,

E a minha vida é toda uma oração e uma missa,

E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.

Mas se Deus é as árvores e as flores

E os montes e o luar e o sol,

Para que lhe chamo eu Deus?

Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;

Porque, se ele se fez, para

eu o ver,

Sol e luar e flores e árvores e montes,

Se ele me aparece como sendo árvores e montes

E luar e sol e flores,

É que ele quer que eu o conheça

Como árvores e montes e flores e luar e sol.

Num dos escritos do buda Nichiren Daishonin consta: “Todos os fenômenos do universo, isto é, o nascer e o pôr do sol e da lua, fluxo e refluxo da maré, o curvar das árvores diante do vento à luz da Lei Mística, nos seus aspectos reais são ações do Myoho-renge-kyo”.

Toda a energia do universo, que é representada pelas religiões monoteístas como a força divina, é identificada como a Lei Mística no budismo, que se manifesta em todos os fenômenos, entre eles a natureza, assim como dito pelo poeta português.

Ser livre e independente

No livro Valores Humanos num Mundo em Mutação, o líder da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, comenta: “As tradições judaico-cristã e islâmica postulam um deus antropomórfico e absoluto como última instância ao qual é subserviente todo o universo e que exibe os mesmos tipos de emoções que os seres humanos. Em contraste, o budismo baseia-se na crença em uma lei saturante, universal, abstrata e pura. A lei nem recompensa nem castiga da mesma maneira que o Deus judaico-cristão. Os seres humanos vivem em melhor ou em pior situação conforme a observem ou não. Além do mais, é acessível igualmente a todos e não tem um chamado ‘povo eleito’ por quem manifeste preferência nem acena com uma terra prometida específica”.

Essa lei pura e universal, comentada pelo presidente Ikeda foi identificada pelo Buda Nichiren Daishonin como Nam-myoho-renge-kyo e está presente em tudo. Toda forma de vida é manifestação dessa lei universal — ela (a Lei) capacita a pessoa a evidenciar suas potencialidades e sua máxima sabedoria que é manifestada pelo daimoku.

O budismo provê uma forma de viver livre e independente, sem a clausura do destino e a sensação de sermos constantemente observados e julgados — é justamente essa diferença no modo de compreender o conceito de Deus que faz com que o budismo possibilite a todos, sem exceção, serem absolutamente felizes.

Responsável pelo destino

A subserviência à força divina conduz as pessoas a aceitar a vida como ela é, tornando o indivíduo passivo diante dos fatos. Contudo, quando se recita Nam-myoho-renge-kyo diante do Gohonzon evidencia-se todo o potencial e força inerente tornando a pessoa responsável pelo seu destino.

Na série “Sabedoria do Sutra de Lótus — Diálogo sobre a Religião no Século XXI”, o presidente Ikeda afirma: “O budismo é um sistema de educação da vida em que o ser humano passa a evidenciar sua sabedoria inata e, por meio dela, busca uma vida elevada, passando a viver livre do medo do castigo de uma força superior ou de ser infeliz. O budismo ensina a condição de viver bem o dia a dia por meio de um comportamento adequado ao ritmo do universo. Por que o tripé fundamental da Soka Gakkai é a paz, a cultura e a educação? Porque a educação que assimilamos pela filosofia budista é a forma mais elevada de educação de um ser humano. A cultura que propagamos é a que proporciona o intercâmbio entre as pessoas para promover a paz. A Soka Gakkai é, portanto, uma escola da vida que torna esse budismo vivo e pulsante, deixando de ser uma religião pela religião. É a religião para o ser humano.

Convicção na Lei Mística

Toda a teoria desenvolvida e relevada pelo buda Nichiren Daishonin é a forma lógica para compreendermos a dinâmica da vida. As revelações científicas, filosóficas e espirituais comprovam sempre a verdade exposta no budismo — a absoluta certeza de que tudo pode ser superado com a convicção na Lei Mística.

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