Álcool: uma ilusão prejudicial à saúde!

Álcool: uma ilusão prejudicial à saúde!

À primeira vista, ou melhor, ao primeiro gole, ele parece inofensivo mas, com o passar do tempo, pode transformar-se em um dos principais agentes da desarmonia familiar, do declínio profissional, da total falta de auto-estima e, em situações extremas, levar à morte prematura. O álcool é uma substância que causa dependência, doença popularmente chamada de alcoolismo, razão pela qual está incluída na lista das drogas lícitas mais nocivas. No mundo, todas as doenças causadas pelo álcool preocupam os sistemas de saúde, pois se estima que o número de dependentes atinge de 10% a 15% da população mundial. Somente no estado de São Paulo, por exemplo, pelo menos um milhão de pessoas sofrem desse mal.

O médico Sidney Tojer, aponta algumas dicas fundamentais para o controle do alcoolismo, destacando que o reconhecimento do problema, a decisão e o apoio familiar são as chaves para dar a partida na recuperação e controle da doença.

De frente com a realidade

Muitas pessoas têm a idéia de que o dependente do álcool é aquele ser humano que vive nas ruas, de bar em bar, afastado da família e sofre de cirrose (degeneração do fígado). No entanto, muitos outros dependentes descrevem seu uso como “social”, mas também são usuários da mesma droga. Questionamentos como: “O que é, então, o alcoolismo? Quais os riscos e as conseqüências de beber exageradamente? Quem é alcoolista? Como é possível um dependente se recuperar?”, são freqüentes. Especialistas no assunto, tanto de órgãos públicos como particulares, afirmam ser um dos maiores problemas da saúde pública, embora os pacientes conheçam seus efeitos, não admitem a dependência.

O alcoolismo é uma doença caracterizada pelos seguintes elementos:

• Compulsão: necessidade forte ou desejo incontrolável de beber.

• Perda do controle: inabilidade de parar de beber uma vez que já se começou.

• Dependência física: ocorrência de sintomas de abstinência como náusea, suor, tremores e ansiedade quando se pára de beber após um período de alto consumo. Tendência a buscar alívio com mais consumo, as vezes combinado com outras drogas sedativas.

• Tolerância: necessidade de aumentar as quantidades para sentir-se “alto”.

Um grande mito é que certas bebidas não causam dependência. Ledo engano, pois os especialistas são categóricos em dizer que o alcoolismo é gerado por toda espécie de bebida que contenha adição de álcool em sua composição, seja ela de alto ou baixo teor etílico. Esta descrição nos auxilia a entender o porquê de a maioria dos dependentes não conseguir controlar-se só com a “força de vontade”, pois estão sob forte compulsão, exprimindo uma necessidade voraz que se mostra tão forte quanto a sede ou a fome.

Tratamento

Segundo Tojer, observando pelo ponto de vista da filosofia budista, a iniciativa de parar é o primeiro passo para a recuperação. “É necessário que o paciente tenha consciência de que possui uma doença e que há métodos de tratá-la. O apoio da família é importantíssimo, pois é fundamental que todos tenham clareza de que não se trata de um desvio de personalidade, popularmente classificado como ‘sem-vergonhice’. O mais indicado é que todos se envolvam no tratamento, participem das terapias familiares e desenvolvam a harmonia entre os parentes o que conforta e faz com que o dependente sinta-se seguro para dar continuidade ao tratamento. Outro ponto fundamental é a religiosidade. No caso da prática budista, estar centrado na sua decisão e desafiar os próprios limites por si já trazem resultados. Quando isso se amplia com o apoio de toda uma comunidade e pessoas que acreditam que o dependente pode vencer, cria-se uma atmosfera positiva que o conduz à superação do problema. O que temos sempre de lembrar é que os acompanhamentos médico e psicológico são imprescindíveis.”

Embora o alcoolismo seja uma doença tratável, ainda não há cura. Isto significa que, mesmo que um dependente de álcool esteja sóbrio por muito tempo e tenha sua saúde de volta, ainda está suscetível a recaídas e deve continuar a evitar todos os acessos a ambientes favoráveis ao consumo. “Não há como estar no ambiente favorável e não se sentir tentado a beber, o que é suficiente para uma recaída”, diz Tojer.

Os médicos afirmam que as recaídas são muito comuns e não significam total fracasso no tratamento. “É importante ter em mente que o dependente deve ser elogiado a cada dia em que se mantém sóbrio. Trata-se de mais um dia que ele venceu os seus próprios desejos em prol de sua vida.”, conclui o médico.

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