Budismo Nichiren: a chave para superar os sofrimentos da vida

Budismo Nichiren: a chave para superar os sofrimentos da vida

Então a questão mais importante não é saber se a felicidade existe, mas como tornar-se feliz, independentemente das causas negativas que uma pessoa tenha realizado no passado. Essa resposta começou a ser elucidada com o surgimento do budismo na Índia, em aproximadamente 500 a.C. Após atingir a iluminação, Sidarta Gautama, ou Sakyamuni, começou a ensinar às pessoas sobre a impermanência da vida e a lei da causalidade. Nos oito últimos anos de sua vida, ele revelou o ensino do Sutra de Lótus, na qual incentiva seus discípulos a examinarem sua própria vida em vez de almejar outro mundo. Ele revela que todas as pessoas, homens ou mulheres, possuem dentro de si o mesmo potencial para atingir o estado de Buda, uma condição na qual a pessoa enxerga claramente os fenômenos da vida, livre de ilusões, e manifesta uma ilimitada força interior para vencer todas as adversidades, ajudando outras a alcançar essa mesma condição.

No entanto, somente as pessoas que já haviam formado profundos laços cármicos com ele no passado poderiam alcançar essa condição. Por isso, o Budismo de Sakyamuni é denominado de Budismo da Colheita.

E as pessoas que não se enquadravam nessa situação e nasceram após a morte de Sakyamuni? Como elas poderiam atingir a iluminação? Essa pergunta ficou sem uma resposta até o século XIII, quando surgiu uma pessoa chamada Nichiren Daishonin. Ele incentivou os seus praticantes não só a entenderem as causas de seus sofrimentos, mas lhes proporcionou um novo significado aos efeitos que sofriam na vida presente.

Uma pessoa pode pensar: “Eu fiz tal coisa, portanto, aconteceu isso comigo”. Mas essa forma de pensar não lhe dará esperança. Para o Budismo Nichiren, não importa as causas negativas que uma pessoa tenha praticado, mas sua ação no momento presente. O importante é considerar a própria vida no presente momento como a “causa” para criar os efeitos futuros. Por isso, seu budismo é conhecido como o da Semeadura.

A flor de lótus simboliza a doutrina da simultaneidade de causa e efeito, pois ela desenvolve as flores (a causa) e o fruto (o efeito) ao mesmo tempo. Por meio desse princípio, Nichiren Daishonin ensinou que, quando uma pessoa recita Nam-myoho-rengue-kyo com fé (causa) no Gohonzon, o estado de Buda (efeito) manifesta-se instantaneamente de seu interior. É por essa razão que ele afirma que qualquer um que pratique esta Lei obterá simultaneamente a causa e o efeito do estado de Buda.

Contudo, entender as causas que levaram à manifestação de determinados efeitos parece algo simples, mas na prática não é. A maioria das pessoas têm dificuldade de perceber as causas de seus sofrimentos e atribui, muitas vezes, os efeitos como sendo causas. Veja um exemplo que acontece na vida diária:

Gripes e resfriados

A tradição familiar aconselha a tomar cuidado com a friagem para não contrair uma gripe ou resfriado. Mas se friagem ou vento gelado fizesse realmente mal, os noruegueses, canadenses, esquimós e muitos outros povos que vivem em lugares gelados estariam sempre gripados ou resfriados.

Antigamente, desconhecia-se a existência dos vírus, fungos ou bactérias, e por esses males terem maior incidência no inverno, atribuía-se à baixa temperatura como a causa das gripes e resfriados.

Mas na década de 1950 foram realizados estudos com dois grupos: um de pessoas que ficaram protegidas da neve ou da chuva. E outro, de pessoas expostas à chuva, à neve e aos ventos cortantes. Surpreendentemente, verificou-se que as pessoas contraíam gripes e resfriados independentemente de sua exposição ao frio.

Isso porque os resfriados e gripes e outras infecções respiratórias são doenças causadas por vírus e que sem eles é impossível adquiri-las. Quando eles se multiplicam nas mucosas, o nariz escorre, ocorre a tosse, a falta de ar e o chiado no peito.

No inverno há maior tendência à aglomeração em ambientes fechados, mal ventilados, facilitando a transmissão de vírus e bactérias de uma pessoa a outra.

O mesmo ocorre com as vacinas contra a gripe. Muitas pessoas afirmam que tomaram vacina num dia e no outro estavam gripadas. O que é um engano. A pessoa não ficou gripada por causa da vacina, mas porque já havia um vírus da gripe em período de incubação, que leva de um a três dias para se manifestar no organismo. Todos os anos a vacina da gripe é atualizada para combater as gripes mais fortes que podem ser fatais para pessoas com baixa imunidade. O que pode ocorrer é a pessoa manifestar ou contrair um outro tipo de vírus, mais fraco.

Onde está a causa?

No escrito “Comportamento do Buda”, consta: “Se uma pessoa faz um mero tratamento médico sem conhecer a causa da doença, a condição do paciente será agravada em vez de melhorar”.

Em todas as questões, desde que exista um efeito, há sempre uma causa e uma relação. Por exemplo, uma causa chamada semente desabrochará somente quando tiver uma relação com a água. Mesmo que jogue muita água, se não possuir uma semente, nunca conseguirá obter um broto da semente.

Os sofrimentos da vida são resultados ou efeitos de causas e relações existentes. Existem pessoas que culpam outras (relação) pelos seus sofrimentos, esquecendo-se de suas próprias causas.

Na realidade, o sofrimento ocorre porque houve uma causa no passado. Sem essa causa, não haveria o efeito. Uma mulher que sofre com o marido e os filhos na presente existência, com certeza formou uma relação cármica com eles no passado. Se uma pessoa sofre, ela fez a causa para isso.

Certa ocasião, uma senhora pediu uma orientação a um veterano. Seu marido estava com câncer e, por mais que ela orasse por sua cura, ele não melhorava. Esse dirigente disse-lhe: “Seu marido não deve estar praticando firmemente. Pedir a cura do marido que não está praticando é o mesmo que pedir para satisfazer o apetite de uma pessoa que não está se alimentando. Se recebêssemos benefícios sem praticar o budismo, poderíamos deixar que outras pessoas praticassem em nosso lugar. Seria muito cômodo e ninguém se empenharia na prática da fé. Encare essa doença como uma oportunidade, ore para que ele venha a praticar firmemente e torne-se uma pessoa útil ao Kossen-rufu. Esta é a forma correta de orar. Assim, ambos transformarão a causa desse sofrimento. A verdadeira atitude da prática da fé é pedir desculpas pelas falhas cometidas até então e orar firmemente, jurando empenhar-se com seriedade daqui para a frente”.

Após refletir profundamente sobre sua atitude e sua fé, ela orou com uma nova disposição ao Gohonzon e seu marido superou a doença.

Muitas pessoas alegam que o marido é ruim, a sogra é terrível, os filhos são desobedientes, os dirigentes são arrogantes, mas dificilmente dizem: “Estou sofrendo devido às minhas atitudes” ou “eu sou o culpado”. O budismo ensina que em todas as questões que envolvem o relacionamento humano, a culpa não está nas pessoas próximas. Antes de tudo, é preciso questionar porque sofre-se com o marido, com os filhos, com os pais etc. A chave para transformar qualquer situação se encontra na mudança interior, do próprio coração, onde reside a causa de todo o sofrimento.

O que fazer com os erros do passado?

Após ouvir uma orientação sobre como vencer o sofrimento, muitas pessoas dizem que entenderam perfeitamente, prometem se corrigir e jamais cometer os mesmos erros. Mas o que farão com os erros que já cometeram? Por exemplo, uma pessoa que prejudicou muitas outras num dado momento percebe os erros que cometeu. Como ela pode reparar esses erros? No escrito “Carta a Jakuniti-bo” consta: “Mesmo uma pequena calúnia levará uma pessoa ao caminho do mal se ela não se arrepender; contudo, mesmo uma grande calúnia poderá ser erradicada se essa pessoa se arrepender”.

O budismo ensina que se deve orar ao Gohonzon, pedindo sinceras desculpas pelas más causas cometidas, jurando doravante recitar Daimoku e se empenhar para que outras pessoas abracem o Budismo Nichiren. Dessa forma, conseguirá manifestar os imensuráveis benefícios do Gohonzon.

Um exemplo disso ocorreu com Dalva Ariga, consultora da DF da Subcoordenadoria Leste 2 da CCSP. Ela relata que há alguns anos sua família passava por uma situação financeira bastante difícil. E, por mais que orasse e se esforçasse na prática da fé, eles não conseguiam superar esse problema. Então, em uma certa madrugada do ano de 1983, dois ladrões invadiram sua casa, rendendo a família. No momento em que Dalva viu uma arma apontada para si, deu-se conta das causas negativas que havia realizado para vivenciar aquela terrível situação. Ela refletiu que havia, de uma maneira ou de outra, lesado muitas pessoas em existências passadas. Arrependida, sentou-se diante do Gohonzon e jurou que nunca mais pegaria uma agulha sequer de ninguém e que se empenharia para propagar o budismo, visando a felicidade de todas as pessoas. A partir desse dia, os problemas financeiros de sua família começaram a ser solucionados e ela nunca mais sofreu por questões financeiras.

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