Mãe, inspiração para os filhos

Mãe, inspiração para os filhos

Texto adaptado do artigo do presidente Ikeda, publicado na revista japonesa Daisanbunmei entre 1999 e 2000 e também na Terceira Civilização ed. 474, de fev. de 2008.




As crianças gostam de ouvir palavras de elogio e de apreço. Atualmente, isso é raro; estamos mais acostumados a manifestações de rancor e de inveja. As pessoas estão se tornando cada vez mais intolerantes e superficiais; indivíduos assim não conseguem reconhecer qualidades nos outros.

Na SGI, por outro lado, as pessoas são enaltecidas e incentivadas, o que lhes facilita vencer na vida. Nesse ambiente, elas compartilham esperanças e alegrias, e são encorajadas e revitalizadas.

Para uma criança, a mãe é a pessoa mais importante, o que há de mais precioso no mundo. Por essa razão, é fundamental que a mãe abrace o filho com carinho. (…)

Essa proximidade entre mãe e filho permite que ela o advirta sem hesitação, quando ele causar algum problema. Os filhos sempre sentirão o amor maternal envolvendo-os totalmente.



De que forma as crianças devem ser repreendidas ou censuradas? Essa é uma questão difícil. Na realidade, depende de como os pais conduzem a própria vida. O mais importante é fortalecerem a convicção, tornando-se exemplos para os filhos. É imprescindível que cultivem valores positivos. Do contrário, poderão ser influenciados de forma duvidosa pelos muitos livros que existem sobre como criar os filhos ou se deixarem levar pelas próprias crianças. No fim, os filhos sofrem.

Se a mãe participa das atividades da organização com sinceridade, os filhos certamente seguirão seu exemplo. No entanto, se ela reluta em participar das reuniões, as crianças desdenharão da prática budista. Portanto, a mãe é quem determina tudo.

Interagir com os filhos não é apenas uma questão de quanto tempo se passa com eles. O principal é o sentimento da mãe.

Daishonin diz: “O que importa é o coração” (CEND, v. II, p. 267).




Sempre que sair de casa, avise as crianças onde estará: “Vou para tal lugar…” ou “Voltarei tal hora…”. Se os filhos não estiverem, deixe-lhes um bilhete. Anote os números de telefone dos locais em que podem encontrá-la e a localização de tudo o que eles talvez precisem em casa. Use a criatividade em cada circunstância.

Ao voltar, deixe as crianças notarem sua presença. Se já estiverem dormindo, sussurre no ouvido de cada uma delas: “Muito obrigada por ficar em casa” ou “Graças a você, pude fazer o melhor hoje”.

As crianças se sentem inibidas quando os pais estão por perto. Há ocasiões em que a ausência deles cria um espaço para elas expandirem a mente. Se os filhos ficarem o tempo todo com os pais, sentirão a pressão e o desconforto de serem vigiados constantemente.




A palavra “resistência” parece ter perdido o significado, principalmente pelo fato de mais e mais crianças serem criadas em circunstâncias relativamente confortáveis — tudo o que desejam pode ser obtido com facilidade. (…) Contudo, se os filhos continuarem a ser tratados dessa forma, mais tarde vão se tornar pessoas fracas, derrotadas, que sempre se esquivam do que lhes é desagradável. O excessivo conforto na infância pode levar as crianças a caminhos tortuosos no futuro. Rousseau dizia que a melhor forma de conduzir os filhos à desgraça é dando-lhes tudo o que desejam.

Minha mãe constantemente se preocupava com a alimentação dos filhos. Ela não tinha conhecimento algum sobre nutrição.




Quando penso naqueles tempos, sinto profunda gratidão por ela.

Nós não desfrutávamos boas condições financeiras; a família sobrevivia com o cultivo de algas marinhas e com o comércio dessas iguarias. Entretanto, tivemos prejuízos devido ao grande terremoto da era Taisho e perdemos tudo. Mesmo em situações como essa, minha mãe usava a criatividade para preparar refeições, que não custavam caro e, o mais essencial, eram nutritivas. Ela nos servia peixe e dizia:

“Comam! Faz bem para os ossos!” Nós sempre comíamos alga marinha em conserva, a “especialidade da casa”. Ela também nos dizia que podíamos evitar doenças contagiosas se comêssemos um umeboshi (ameixa japonesa curtida em sal) por dia. Nossas refeições não eram suntuosas, mas a atenção que minha mãe dava aos detalhes, sua meticulosidade, é um tesouro para minha vida até hoje.



Minha mãe desconhecia metodologias. Porém, para nós, ela era uma fonte rica de sabedoria e de benevolência.

As mulheres fazem várias tarefas ao mesmo tempo. Sei perfeitamente das dificuldades que vocês, mães, enfrentam.

Mesmo que não possam estar sempre com os filhos durante as refeições ou que não possam prepará-las pessoalmente, é importante procurar formas para fazer o melhor na situação em que se encontram.

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