O poder da Lei Mística transforma o carma

O poder da Lei Mística transforma o carma

Origem do termo

A palavra “carma” deriva do sânscrito “karma” e significa “ato” ou “ação”.

Realização ou resultado

Quando o budismo foi transmitido para a China, esta palavra foi traduzida utilizando o ideograma chinês ye (go, em japonês), que significa “ato” no sentido de realização ou resultado.

O que dizia

Na Índia, o conceito ganhou força até mesmo no antigo pensamento indiano. As pessoas acreditavam que as circunstâncias do renascimento eram determinadas pelos seus atos bons e maus, ou seja, por seu carma.

Observe

O termo “carma” originalmente se referia tanto aos atos bons quanto aos maus. Mas, ao longo do tempo, passou a aplicar-se de maneira generalizada no sentido negativo. Talvez isso ocorra porque as pessoas têm mais dificuldade de esquecer os eventos negativos.

Tema religioso

Dessa forma, a transformação do carma negativo tornou-se um dos temas religiosos mais importantes.

Hoje

Devido à visão fatalista incorporada ao longo do tempo, atualmente, para as pessoas, o conceito de carma é mais facilmente entendido como “destino” ou “sorte”.

Pode mudar?

No entendimento popular, a sorte ou o destino não podem ser mudados. Então, como fica o destino de um país, de uma pessoa ou da humanidade? Será que ele é passível de mudança?

Desejo universal

Em contradição, mudar o destino ou a sorte é o desejo universal de todas as pessoas. Por isso, supostamente, para encontrar resposta a essa questão surgiram os movimentos filosóficos e religiosos, incluindo aqui as grandes religiões mundiais.

Passividade

Atualmente, mais e mais pessoas não aceitam a ideia de que alguma força superior ou divindade tem o poder de controlar seu destino. Isso acontece porque, quanto mais absoluto for o conceito de que uma força superior ou divindade controla o destino, mais passivas as pessoas se tornarão e mais insignificante parecerá sua vida.

estado de buda

Antes do budismo

Na Índia antiga, antes do surgimento do budismo, a ideia do carma era igualmente vista como absoluta, a ponto de acreditarem que as pessoas poderiam se libertar do ciclo de renascimento produzido pelo carma somente por meio de rituais religiosos executados pelo clero.

Florescimento do budismo

Essa pode ter sido uma razão importante para o subsequente florescimento do budismo. Esse ensino libertou as pessoas da visão absolutista do carma ou destino, e enfatizou o poder do livre-arbítrio. Ensinou que tanto a formação como a libertação desse carma dependiam exclusivamente da vontade e dos atos da pessoa.

O caminho do budismo

Por isso, o budismo é conhecido como o “caminho interior” em oposição ao “caminho exterior”, um termo usado para designar os ensinos não budistas.

O Budismo Nichiren

A essência do Budismo Nichiren está em ver o carma como responsabilidade de cada pessoa. Esse é o significado de “caminho interior”. Mas os ensinos provisórios ou pré-Sutra de Lótus interpretaram este princípio de maneira equivocada.

Sutra de Lótus

O Sutra de Lótus é o ensino que liberta as pessoas fundamentalmente das amarras do destino por defender que todos possuem a natureza de Buda inerente. Quando se entende a doutrina da transformação cármica exposta no Sutra de Lótus, enxerga-se claramente o poder benéfico do Budismo de Nichiren Daishonin com relação a esse princípio.

Determinismo do carma

A visão do Sutra de Lótus sobre “expiar as ofensas” difere fundamentalmente daquela dos ensinos pré-Sutra de Lótus. O reconhecimento do livre arbítrio é uma das características mais distintas do conceito budista de carma. Entretanto, não se pode negar que, ao longo dos séculos, depois da morte de Sakyamuni, essa base primordial foi sendo esquecida, e o que passou a predominar foi uma ideia mais determinista do carma.

Por exemplo

Assim, era dito para as pessoas que elas vinham acumulando um número incalculável de faltas e más ações de suas existências passadas até o presente. Isso, naturalmente, faziam que se sentissem impotentes, sem esperanças, incapazes de erradicar um carma tão pesado.

Esta visão está errada

De acordo com a visão geral do carma, é impossível transformar e erradicar todas as causas ou o carma negativo que acumulamos ao longo de muitas existências, e que o máximo que podemos esperar é reduzir pelo menos uma pequena parcela desse saldo negativo que carregamos conosco, nas profundezas de nossa vida. Mas, enquanto isso, no decorrer dos dias, continuamos a acumular mais carma negativo decorrente de nossas ações e, presos a esse ciclo, acabamos desenvolvendo uma mentalidade pessimista e impotente.

Família

Como surgiu a visão equivocada?

Acredita-se que, em parte, teria sido por causa da intervenção de alguns clérigos corruptos. Em muitos casos, eles declaravam que as pessoas eram prisioneiras de seu carma e que somente o clero poderia erradicar seus maus atos do passado. Eles usavam sua autoridade religiosa como um instrumento de intimidação. Esses sacerdotes enfatizavam que o ser humano era uma criatura pecadora por natureza. Mas, na realidade, eram eles próprios os maiores pecadores que poderia haver.

Conclusão I

O Budismo Nichiren opõem-se às tendências desses ensinos errôneos. Ensina que podemos transformar nosso carma negativo completa e definitivamente. Esta é precisamente a razão de Daishonin ter enfocado a questão do carma.

Conclusão II

O que liberta as pessoas de seu carma ou destino é a clara revelação de que é possível transformá-lo. O budismo explica o carma para mostrar como transformá-lo. Em outras palavras, sustentar a doutrina do carma sem esclarecer devidamente a forma de transformá-lo é interpretar o Budismo de maneira equivocada. Esses ensinos só contribuem para que as pessoas continuem prisioneiras dos grilhões do carma.

Conclusão III

Outra característica distinta do Budismo Nichiren com relação ao carma é seu foco intenso e rigoroso no indivíduo ou no “eu”. Ensina que cada pessoa deve refletir profundamente sobre seu carma e esforçar-se para mudá-lo, empregando o poder da Lei Mística que todos possuem inerentemente.

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