Ser budista significa vencer na vida real

Ser budista significa vencer na vida real

Conheça o princípio “prática da fé é a própria vida diária” segundo o qual as questões do dia a dia são em si a totalidade do exercício budista.

Ikeda sensei afirma: “O budismo não existe separado de nossa vida e das circunstâncias reais. A SGI cresceu à medida que veio demonstrando a vitória do budismo na vida cotidiana, assim como Daishonin ensinou”.

O Mestre também orienta: “A vida nem sempre é suave e agradável. Alguns de vocês podem estar lutando ou sofrendo por não poderem participar nas atividades da SGI tanto quanto gostariam, por motivo de trabalho, de doen­ça ou de outras circunstâncias. Quando se encontrarem em tal situação, esse é o momento de dirigirem sua determinação de mente única ao Gohonzon (…). Sofrer e lutar contra problemas os tornam mais fortes. Não há necessidade de se preocuparem. A chave é dar um passo ou mesmo meio passo para a frente — continuar o desafio com determinação resoluta e manter essa intenção viva”.

1 — O melhor caminho
O buda Nichiren Daishonin afirma: “O verdadeiro caminho encontra-se nos assuntos deste mundo” (CEND, v. II. p. 394).

O budismo como um todo trata de decifrar e ensinar da maneira mais simples sobre a conduta da qual toda pessoa pode se utilizar para que seja plenamente feliz. Dentre tantas formas de viver, é fundamental descobrir a trajetória que jamais produza arrependimento.

“O ‘verdadeiro caminho’ mencionado por Daishonin nessa passagem [anterior] se refere ao verdadeiro caminho para as pessoas comuns alcançarem o estado de buda. Onde esse caminho é encontrado? Nichiren Daishonin afirma que o verdadeiro caminho ‘encontra-se nos assuntos deste mundo’”.

A resposta de Ikeda sensei explicita que a melhor rota é aquela que aflora o estado de buda nas pessoas comuns e que também resolve as questões diárias.

2 — Religião que cria valor
O budismo não está apenas conectado com a vida real. Nem ensina somente a entender a vida diária. Ele é muito mais que isso; budismo é a vida real em si.

Ikeda sensei é categórico — o mais elevado estado do ser somente é produzido no enfrentamento audaz dos problemas pessoais e da sociedade: “Para nós, pessoas comuns dos Últimos Dias da Lei, o caminho para atingir o estado de buda reside na luta com determinação sincera e resoluta em nossa prática budista em meio à sociedade, no mundo real.”.

A prática do budismo é a prática da transformação da vida real. Não há distinção: de um lado, atividades religiosas alegres nos fins de semana e, do outro, a realidade monótona e sofrida às segundas-feiras pela manhã. Não é assim!

A SGI não ameniza nem anestesia o praticante em relação aos dramas da vida real. A Gakkai é a vida real encarada por um praticante lúcido, bem treinado, feliz e determinado a vencer tarefa por tarefa, criando valor e inspirando as demais pessoas.

3 — São o próprio budismo
Ikeda sensei analisa: “Enquanto os sutras além do Sutra do Lótus só reconhecem que os assuntos seculares [da vida real] concordam com os princípios budistas, o Sutra do Lótus considera que as questões da vida e da sociedade são em si a totalidade do budismo”.

Ele continua: “Nos sutras, exceto o Sutra do Lótus, os assuntos deste mundo são vistos como obstruções à prática para alcançar o estado de buda. Na melhor das hipóteses, as questões mundanas são vistas como relacionadas à prática do budismo, na medida em que os ensinamentos mais avançados do mundo secular estão de acordo com o budismo. Isso representa uma maneira de pensar em que os assuntos deste mundo são analisados e interpretados da ótica do budismo. Em contraste, o Sutra do Lótus ensina que os assuntos mundanos [do cotidiano] não são algo que concordam ou se opõem à verdade do budismo; eles são o próprio budismo, tal como são”.

4 — Até tu, Shijo Kingo!
Budismo significa encarar e resolver com maestria os problemas; jamais fugir.

Exemplo é o valente Shijo Kingo, discípulo de Nichiren Daishonin. Samurai destemido, viu-se tão perturbado pelos atritos em sua vida diária que solicitou entrar para o mundo do sacerdócio e se tornar reverendo.

Daishonin lhe disse “não” e o encorajou com ênfase: “Viva de maneira que todas as pessoas de Kamakura o elogiem pela diligência com que Nakatsukasa Saburo Saemon-no-jo serve ao seu senhor feudal, ao budismo e às demais pes­soas” (CEND, v. II, p. 112).

É isso! Ser budista é resolver problemas na vida diária, um por um, com talento e coragem. Seria muito fácil se esconder atrás da religião odiando a vida diária, mas Ikeda sensei ensina: “O budismo não existe separado de nossa vida e circunstâncias reais. A SGI cresceu à medida que veio demonstrando a vitória do budismo na vida cotidiana, assim como Daishonin ensinou”.

5 — Lewis Hamilton
Vamos a um exemplo: Lewis Hamilton, um automobilista britânico de 32 anos, quatro vezes campeão mundial de Fórmula 1: em 2008, 2014, 2015 e 2017.

Além de outros fatores, um dos motivos de tanta habilidade em dirigir se deve às exaustivas corridas que faz em simuladores. Ele treina, treina e treina correndo em equipamentos eletrônicos e depois se exercita fisicamente, além dos treinos em carros reais.

Um campeão da Fórmula 1 deve vencer corridas, acumular pontos. Vida real é a corrida em si.

Dizer que os concorrentes são muito fortes e por isso só se interessar por treinos não torna um piloto campeão.

Fazendo um paralelo: nosso treino são o gongyo matinal com entusiasmo, daimoku com intenção igual à de Ikeda sensei, diálogos nas reuniões de palestra nos blocos, visitas, shakubuku, estudos concentrados etc. Isso tudo é preparação. Budismo mesmo é chegar fortalecido de energia vital e treinado pelo Mestre para a corrida da vida real. E ele garante que todo membro da SGI “que esteja lutando em meio à dura realidade da vida alcança um estado de inabalável felicidade”.

6 – Dedicação ao trabalho
Juntando todas as peças já podemos concluir: ser praticante do budismo é efetuar a revolução humana, isto é, resolver na vida real cada assunto a tal ponto que sua vitória cause impacto em todos à sua volta, até no mundo.

Toda sensei orienta com rigorosidade: “Afirmo que uma pessoa que não se dedica de todo o coração ao seu trabalho está caluniando a Lei. Não experimentar alegria no trabalho é o mesmo que não experimentar alegria na fé. Não importa quanto daimoku recite, não terá sucesso na sociedade”.

Ser um bom membro da SGI é ser reconhecido amplamente pela sociedade como uma pessoa de bom-senso, acolhedora, vitoriosa, fiel ao Mestre e rica em boa sorte.

É chegar ao ponto de ser alguém aplaudido, por exemplo, como “O vitorioso João da Soka Gakkai, discípulo número 1 de Daisaku Ikeda!”. Uma vida assim é completa, poética e alegre.

7 — Luta na vida diária
O mais fascinante caminho é rumar pela vida unindo propósitos com Ikeda sensei.

Ao marchar juntos com a SGI, contribuímos para nossa comunidade, dialogamos visando a paz mundial, criamos redes de amigos e de encorajamento. É vida ativa dedicada a “batalhar em meio à realidade da vida diária”. A SGI é a “religião em prol do ser humano, isto é, uma religião da revolução humana”.

Budismo é confrontar cada situação com desejo igual ao do Buda: ser feliz e ajudar os outros a fazer o mesmo. SGI é a luta em meio ao povo sofrido, resgatando cada pessoa da miséria do destino, revitalizando uma por uma até que brilhe. É luta real para injetar esperança e coragem aos que sofrem: “Nosso movimento constitui o ‘verdadeiro caminho’ de beneficiar tanto a si mesmo quanto aos outros”.

Helen Keller e a luta pelo bem-estar dos outros – Por Daisaku Ikeda

Lembro-me de um episódio da vida da ativista social americana Helen Keller (1880–1968). Embora cega e surda, ela se dedicou ao bem-estar dos outros, dando esperança para toda a humanidade.

Helen Keller estimava e sempre se recordava de uma doação feita a uma de suas obras de caridade, enviada junto com um buquê de rosas para ela por um adolescente com deficiência. Recordando-se do seu sincero gesto, ela escreveu: “As rosas desapareceram há muito tempo, e o jovem coração que se inclinou naquele bom impulso deixou de bater, mas sua adorável ação florescerá para sempre no jardim da minha alma”.

Nosso movimento é igual. Tudo começa com a ação de valorizar a intenção sincera, a determinação resoluta, da pessoa que está bem diante de nós.

A determinação resoluta de indivíduos comuns é sempre a força motriz da história.

Determinação resoluta é sinônimo de juramento

Todo o esforço, a dedicação e o trabalho duro dos nossos membros em prol do kosen-rufu não são apenas atividades. São a vida em si.

Os budas das dez direções e das três existências certamente nos louvarão. As divindades celestiais e as divindades benevolentes não podem deixar de nos proteger.

Na cerimônia do segundo ano do falecimento de Makiguchi sensei (em novembro de 1946), Toda sensei fez a seguinte declaração como verdadeiro discípulo do seu mestre: “Estou decidido a levar adiante sua determinação resoluta e cumprir a missão da Gakkai para que eu possa merecer seu aplauso quando lhe encontrar no Pico da Águia”.

A determinação resoluta compartilhada por mestres e discípulos Soka é sinônimo de juramento pelo kosen-rufu.

Os ideogramas em japonês que designam a palavra “companheiro” (doshi) possuem o significado de “encontro de pessoas com a mesma determinação resoluta”, ou seja, aqueles que compartilham a mesma determinação ou juramento. A SGI é uma reunião de companheiros que compartilham o mesmo propósito e determinação.

Não há ninguém que possua determinação resoluta mais poderosa que a nossa, os membros da SGI, que se esforçam arduamente em prol do kosen-rufu, unidos com o espírito de “diferentes em corpo, unos em mente”, se solidarizam uns com os outros e se encorajam mutuamente. É por essa razão que conseguimos propagar o Budismo Nichiren para o mundo.

Os associados da SGI, dedicados à determinação sincera e resoluta de se empenhar pela felicidade de todas as pessoas, são os tesouros do mundo. Os membros da SGI com a determinação resoluta de concretizar a paz são os tesouros da humanidade. A expansão da nossa rede de resolução compartilhada transformará nosso planeta num belo reino de tesouros.

Toda sensei declarou: “Devemos concentrar nossos esforços à criação de um novo autêntico companheiro e depois cultivar outro, e outro. É isso que cria a época”.

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